Nações Unidas

Como erguer uma nação das cinzas da guerra?
Adquirindo voice própria

Liberdade de expressão promove cultura democrática

A voz de Timor-Leste foi ouvida em todo o mundo no dia 30 de agosto de 1999, através da Consulta Popular, quando o povo votou esmagadoramente para se tornar numa nação independente. Desde esse dia, a voz dos cidadãos de Timor-Leste fortalece-se cada vez mais.

A aquisição de voz própria começou, para alguns, com a abrangente sessão de consulta que se desenrolou no país depois da independência. Mais de 8.000 pessoas que sofreram durante os conflitos de 1974 a 1999 partilharam as suas histórias com a Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) de Timor-Leste.

Finalmente livres do medo de se expressar no seu próprio país, inúmeros poetas, cantores, pintores, artistas de graffiti e outros deram voz à sua dor, sua ira, suas ideias e suas aspirações. Cresceram as empresas de transmissão por televisão e rádio, assim como estações de rádio comunitárias e jornais independentes. Hoje, esses órgãos comunicam primordialmente em tetum e português, que são as línguas oficiais do país.

Esta liberdade de expressão é a base de uma cultura democrática emergente. A presença dos cidadãos nas urnas eleitorais é hoje uma das mais elevadas do mundo. Os prisioneiros têm direito ao voto, o que não é prática comum em todos os países. A participação dos deficientes físicos é auxiliada por observadores eleitorais especiais portadores também eles de deficiências fisicas.

As mulheres e crianças, geralmente os que mais sofrem em sociedades devastadas por conflitos, estão agora envolvidos nos processos nacionais para promoção da paz e estabilidade em Timor-Leste. As vozes femininas são ouvidas no parlamento nacional, no qual elas detêm 38 por cento dos assentos – o mais elevado nível de representação feminina em toda a Ásia.

Os jovens timorenses estão representados por um programa piloto e inovador chamado Parlamento Jovem, onde participam 130 jovens de ambos os sexos representando todos os distritos do país. Essa é uma das formas que Timor-Leste encontrou para dar voz aos jovens que sofreram as tragédias da guerra e tiveram suas vidas “adiadas” pela falência das infraestruturas do país.